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Gamarra fixa ou de argolas: o guia de ajuste

A gamarra é um acessório de equitação que limita a subida da cabeça do cavalo. A gamarra fixa liga a focinheira à cilha e trava o pescoço; a gamarra de argolas passa pelas rédeas e permite que o cavalo estenda o pescoço. O ajuste está certo quando as argolas, levantadas ao longo da espádua, chegam à cernelha.

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As lojas de selaria vendem gamarras; quase nenhuma explica qual escolher, como a ajustar, nem quando é melhor passar sem ela. É esse o objetivo desta página.

Para que serve uma gamarra

Uma gamarra impede o cavalo de levantar a cabeça acima de um certo ponto. Um cavalo que levanta bruscamente o pescoço foge à ação do freio, pode bater na cara do cavaleiro e perde o equilíbrio do dorso. A gamarra fixa um limite superior ao movimento da cabeça — não atua enquanto o cavalo ficar abaixo dele.

Uma gamarra bem ajustada está inativa a maior parte do tempo. Se estiver sempre a trabalhar, está curta demais.

Os dois modelos

A gamarra fixa

Parte da cilha, passa entre os membros anteriores e prende-se atrás da focinheira — nunca a uma focinheira combinada ou cruzada, que transmitiria a pressão às narinas. Um colar à volta do pescoço mantém o conjunto no lugar.

O que faz: atua sobre o chanfro do cavalo, independentemente das mãos do cavaleiro.

O que impede: também trava a extensão do pescoço para a frente e para cima — um problema real nos saltos.

A gamarra de argolas

Parte igualmente da cilha, mas divide-se em dois ramos que terminam cada um numa argola por onde passa uma rédea.

Cavalo em concurso com uma gamarra de argolas: as duas rédeas passam pelas argolas.
Gamarra de argolas no Paris Eiffel Jumping 2018: as duas rédeas passam pelas argolas. Fotografia: Tsaag Valren, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O que faz: quando a cabeça sobe demasiado, as argolas puxam as rédeas para baixo e a ação do freio muda de ângulo, o que incita o cavalo a baixar a cabeça.

O que permite: a extensão do pescoço. Como atua pelas rédeas, o cavaleiro que cede a mão liberta também a gamarra. É por isso que é, regra geral, a única admitida nos saltos de obstáculos.

O que exige: mãos estáveis. Uma mão que mexe sem parar transmite os esticões ao freio, amplificados pelo ângulo das argolas.

Em resumo

Gamarra fixaGamarra de argolas
Ponto de açãoA focinheira, portanto o chanfroAs rédeas, portanto o freio
Depende das mãos do cavaleiroNãoSim
Permite estender o pescoçoNãoSim
Adequada aos saltosDesaconselhadaSim
Risco principalTravar o cavalo à chegada ao saltoAmplificar uma mão instável

Ajustar uma gamarra de argolas

  1. Sele e embride o cavalo, deixando as rédeas desapertadas no freio de um dos lados.
  2. Passe a correia da gamarra entre os membros anteriores e prenda-a à cilha, ao centro.
  3. Coloque o colar à volta do pescoço: deve deixar passar uma mão espalmada junto à cernelha.
  4. Teste o comprimento. Com o cavalo de cabeça na posição natural, pegue nos dois ramos e levante as argolas ao longo da espádua em direção à cernelha. Devem chegar à cernelha. Se ficarem antes, a gamarra está curta; se passarem muito além, não servirá para nada.
  5. Enfie cada rédea na sua argola.
  6. Coloque um batente de rédea — a pequena peça de couro ou borracha — em cada rédea, entre a argola e o freio, e depois aperte as rédeas. Sem batente, a argola pode deslizar até à fivela da rédea e prender-se: é a causa de acidente mais frequente com este material.
  7. Verifique montado. Com as rédeas ajustadas e o cavalo descontraído, a gamarra não deve desviar as rédeas para baixo.

O erro mais frequente

A gamarra curta demais. Vem quase sempre da mesma intenção: « o meu cavalo levanta a cabeça, encurto ». O cavalo fica constrangido em permanência, contrai-se e levanta ainda mais a cabeça para fugir à pressão. Encurta-se de novo. O ciclo instala-se.

Uma gamarra não corrige um cavalo que levanta a cabeça: evita um acidente num cavalo que o faz pontualmente. Se o cavalo levanta a cabeça em permanência, a causa está noutro lado — dorso dorido, freio inadequado, dentes, sela que aperta, mão demasiado dura.

Quando não a usar

  • Num cavalo novo em início de desbaste.
  • Para compensar uma mão instável.
  • Em ensino: qualquer rédea auxiliar é proibida em competição.
  • Quando o cavalo levanta a cabeça por dor.
  • Sem vigilância, à guia ou no paddock.

Em competição

Os regulamentos variam conforme a disciplina e o nível, e mudam: confirme sempre o regulamento da prova junto da Federação Equestre Portuguesa antes de competir. Regra geral, a gamarra de argolas é admitida nos saltos de obstáculos, a gamarra fixa não, e nenhuma rédea auxiliar é admitida em ensino.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre gamarra fixa e gamarra de argolas?
A gamarra fixa atua sobre a focinheira, independentemente das mãos do cavaleiro, e trava a extensão do pescoço. A gamarra de argolas atua pelas rédeas e deixa o cavalo estender o pescoço quando o cavaleiro cede a mão.

Como saber se a gamarra está bem ajustada?
Com o cavalo de cabeça na posição normal, as argolas levantadas ao longo da espádua devem chegar à cernelha. Montado, a gamarra não deve desviar as rédeas enquanto o cavalo não levantar a cabeça.

São precisos batentes de rédea?
Sim, sempre, com uma gamarra de argolas. Sem eles, uma argola pode deslizar até à fivela da rédea e prender-se.

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